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metadata.dc.type: Tese
Title: Raciocínios morais de justiça e de perdão em Padres
metadata.dc.creator: Silva, Frankleudo Luan de Lima
metadata.dc.contributor.advisor1: Rique Neto, Júlio
metadata.dc.description.resumo: "Cada vez mais, os estudos da psicologia têm mostrado que a experiência religiosa constitui um fator relevante para o desenvolvimento moral do indivíduo, entretanto, tais investigações têm sido especialmente lacunares no tocante a análises mais rigorosas dos fundamentos dessa relação. Considerando-se especificamente o universo do catolicismo e lançando luz sobre a justiça e o perdão enquanto virtudes morais e de desenvolvimento, defende-se, aqui, o argumento de tese de que os raciocínios morais de justiça e de perdão de padres estão apoiados nas orientações doutrinárias do Catecismo da Igreja Católica referentes à justiça e ao perdão. Isto porque a força doutrinal conservada no Catecismo, texto de exposição dos conteúdos essenciais a respeito da fé e da moral no âmbito católico, parece guiar o avanço moral dos seus seguidores. Este trabalho de tese está estruturado em dois estudos: um estudo das concepções de justiça e de perdão constantes no Catecismo da Igreja Católica e um estudo empírico dos raciocínios morais de justiça e de perdão dos padres católicos. Duas teorias serviram de base principal para o estudo empírico: a teoria do desenvolvimento do julgamento de justiça, de Lawrence Kohlberg, e a teoria desenvolvimento do raciocínio de perdão, de Robert Enright. Cada autor apresenta uma tipologia de estágios, que representam a complexidade no raciocínio frente às decisões morais. Ademais, reflexões filosóficas e teológicas foram desenvolvidas a fim de conferir maior inteligibilidade às análises realizadas. O estudo dos excertos alusivos à justiça e ao perdão presentes no Catecismo foi conduzido através da análise de conteúdo categorial temática, indicando que a igreja evoca, a respeito da justiça, quatro concepções majoritárias, as quais ora se apresentam interligadas, ora se expressam isoladamente: justiça rectoral divina, justiça distributiva, justiça comutativa e justiça social. Quanto às concepções de perdão, o Catecismo apresenta três concepções principais: perdão como participação na graça divina, perdão como reconhecimento da falibilidade humana e perdão como expressão de amor compassivo. Do estudo empírico, participaram 30 padres da Arquidiocese da Paraíba. Como instrumentos, foram utilizados um questionário biodemográfico e um questionário composto por dois dilemas morais, o primeiro voltado para identificar os estágios dominantes do pensamento de justiça e o segundo voltado para identificar os estágios dominantes do raciocínio de perdão. Verificou-se o uso predominante de raciocínios de justiça pautados na valorização da obediência à lei ou às convenções para a manutenção da ordem social (estágio 4 na tipologia de Kohlberg) e de raciocínios baseados na compreensão de que as pessoas têm direitos individuais, sendo possível, por meio de canais legais e acordos democráticos, alterar leis ou costumes morais eventualmente injustos (estágio 5). Ambos os raciocínios encontram lastro nas orientações catequéticas, as quais tanto podem suscitar pensamentos estritamente legalistas quanto raciocínios que transcendem o limite convencional da lei. Para o raciocínio de perdão, foram dominantes os estágios 3 (na classificação de Enright), que está em consonância com as expectativas do grupo de pertença; seguido do estágio 2,5, baseado em uma compensação moral exemplificada no pedido de desculpas e na mudança atitudinal do ofensor. Estes raciocínios seguem na direção da ideia, evidenciada pelo Catecismo, de que são condicionantes do perdão o reconhecimento do erro, as desculpas, os sinais visíveis de arrependimento e o compromisso com a mudança de comportamento. Comprovou-se, por meio de um teste de correlação de Spearman, uma relação significativa entre raciocínios de justiça e raciocínios de perdão, indicando que quando o pensamento de justiça avança, o pensamento de perdão também avança em algum grau. Verificou-se, através de um teste não paramétrico U de Mann Whitney, que os padres que coordenam paróquias com programas pastorais ativos, socialmente engajados, apresentam raciocínios de justiça e de perdão mais avançados, em razão de, presumivelmente, conhecerem e considerarem as necessidades particulares, as circunstâncias atenuantes e a perspectiva das pessoas antes de emitirem julgamentos de justiça e de perdão. Relativamente ao conteúdo das respostas dos padres sobre a pergunta “O que significa justiça?”, as categorias mais frequentes – “igualdade” “direitos e deveres”, “cumprir a lei”, “equilíbrio social” – são alinháveis às concepções de justiça constantes no texto doutrinal do Catecismo da Igreja Católica e corroboram o predomínio do uso dos estágios 4 e 5 de pensamento de justiça, pautados, respectivamente, na entronização da lei como uma entidade inviolável e na reelaboração de leis, mediante procedimentos contratuais democráticos, a fim de se maximizar o bem-estar geral. Com relação às respostas sobre a questão “O que significa perdoar?”, a maioria dos padres, compativelmente com as concepções de perdão evocadas pelo Catecismo, enfatizou a diminuição/interrupção dos afetos e sentimentos negativos eliciados pela mágoa, o reconhecimento da natureza falível do humano, o perdão como um crédito de confiança e como uma atitude que expressa amor, doação e compaixão. De um modo geral, identificou-se grande compatibilidade entre os raciocínios dos participantes com o conteúdo discursivo propalado pelo texto catequético, sugerindo a confirmação da tese proposta no presente estudo."
Abstract: Increasingly, psychology studies have shown that religious experience is a relevant factor for the moral development of the individual, however, such investigations have been particularly lax in the more rigorous analyzes of the foundations of this relationship. onsidering specifically the universe of Catholicism and shedding light on justice and forgiveness as moral and developmental virtues, the thesis is argued here that the moral reasoning of justice and pardon of priests is supported by the guidelines doctrine of the Catechism of the Catholic Church concerning justice and forgiveness. This is because the doctrinal force preserved in the Catechism, the text of the essential contents regarding faith and morals in the Catholic sphere, seems to guide the moral progress of its followers. This thesis is structured in two studies: a study of the conceptions of justice and forgiveness contained in the Catechism of the Catholic Church and an empirical study of the moral reasoning for justice and forgiveness of Catholic priests. Two theories served as the primary basis for the empirical study: Lawrence Kohlberg's theory of the development of justice, and Robert Enright's theory of the development of the reasoning for forgiveness. Each author presents a typology of stages, which represent the complexity of reasoning in the face of moral decisions. In addition, philosophical and theological reflections were developed in order to give greater intelligibility to the analyzes carried out. The study of excerpts referring to justice and forgiveness present in the Catechism was conducted through the analysis of thematic categorical content, indicating that the church evokes four majoritarian conceptions about justice, which are interconnected and are expressed in isolation: divine rectoral justice, distributive justice, commutative justice, and social justice. As for conceptions of forgiveness, the Catechism presents three main conceptions: forgiveness as participation in divine grace, forgiveness as recognition of human fallibility, and forgiveness as an expression of compassionate love. From the empirical study, 30 priests from the Archdiocese of Paraíba participated. As instruments, a bioemographic questionnaire and a questionnaire composed of two moral dilemmas were used, the first one aimed at identifying the dominant stages of the thought of justice and the second one aimed at identifying the dominant stages of the reasoning of forgiveness. The predominant use of justice reasoning based on the valorisation of the obedience to the law or the conventions for the maintenance of the social order (stage 4 in Kohlberg's typology) and reasoning based on the understanding that people have individual rights, it being possible, through legal channels and democratic agreements, to change laws or morals that are eventually unjust (stage 5). Both reasonings find support in catechetical orientations, which can both elicit strictly legalistic thoughts and reasonings that transcend the conventional limit of law. For the reasoning of forgiveness, stages 3 (in the Enright classification) were dominant, which is in line with the expectations of the belonging group; followed by stage 2.5, based on moral compensation exemplified in the apology and attitudinal change of the offender. These reasonings follow in the direction of the idea, evidenced by the Catechism, that forgiveness is the recognition of error, the excuses, the visible signs of repentance, and the commitment to change of behavior. Spearman's correlation test has shown a significant relationship between reasoning of justice and reasoning for forgiveness, indicating that when the thought of justice advances, the thought of forgiveness also advances to some degree. Through a non-parametric test of Mann Whitney U, it has been found that priests who coordinate parishes with active, socially engaged pastoral programs present more advanced reasoning and justice reasoning, presumably to know and consider the needs attenuating circumstances and the perspective of people before issuing judgments of justice and forgiveness. Regarding the content of the answers of the priests on the question "What does justice mean?", The most frequent categories - "equality", "rights and duties", "complying with the law" and "social balance" - are aligned with the constant conceptions of justice in the doctrinal text of the Catechism of the Catholic Church and corroborate the predominance of the use of stages 4 and 5 of thought of justice, based, respectively, on the enthronement of the law as an inviolable entity and on the reworking of laws, through democratic contractual procedures, in order to to maximize overall well-being. Regarding the answers to the question "What does it mean to forgive?", Most priests, in keeping with the conceptions of forgiveness evoked by the Catechism, emphasized the reduction / interruption of negative feelings and affections elicited by heartache, recognition of the fallible nature of human, forgiveness as a credit of trust and as an attitude that expresses love, giving and compassion. In general, we identified a great compatibility between the reasoning of the participants and the discursive content of the catechetical text, suggesting the confirmation of the thesis proposed in the present study.
Keywords: Raciocínio moral da justiça
Raciocínio moral do perdão
Padres
Catecismo da Igreja Católica
Moral reasoning of justice
Moral reasoning of pardon
Priests
Catechism of the Catholic Church
Psicologia social
Desenvolvimento moral
Igreja católica - Justiça e perdão
Perdão - Padres católicos
metadata.dc.subject.cnpq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
metadata.dc.language: por
metadata.dc.publisher.country: Brasil
Publisher: Universidade Federal da Paraíba
metadata.dc.publisher.initials: UFPB
metadata.dc.publisher.department: Psicologia Social
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
metadata.dc.rights: Acesso Aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
metadata.dc.rights.uri: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/14937
Issue Date: 23-Mar-2018
Appears in Collections:Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social

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