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https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37188| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Entre pertencimento e vulnerabilidade: explorando a identidade étnico-racial e sua relação com a saúde mental de grupos minorizados |
| Autor(es): | Medeiros, Josefa Wanilla da Costa |
| Primeiro Orientador: | Monteiro, Renan Pereira |
| referee1 : | Nascimento, Bruna da Silva |
| referee2: | Melo, Romulo Lustosa Pimenteira de |
| Resumo: | A presente dissertação objetivou reunir e integrar evidências sobre o impacto do racismo na saúde mental de minorias étnico-raciais, bem como adaptar para o contexto brasileiro uma escala de identidade étnico-racial. Para tanto, esta se estrutura em três artigos. No primeiro artigo, por meio de uma revisão de escopo, foram mapeados estudos nacionais e internacionais dos últimos cinco anos (BVS-Lilacs, PubMed, PsycNet e Scielo) sobre os efeitos do racismo em fatores como ansiedade, depressão, estresse e uso de substâncias. Dentre os resultados, emergiram seis categorias de análise: Sintomatologia, diagnósticos e atendimentos clínicos; Racismo e Identidade; Racismo e violência policial; Racismo Vicário; Intersecção racismo e gênero e Sindemia Racismo e Covid-19. Identificou-se que a produção brasileira de estudos empíricos e quantitativos nas bases de dados científicas sobre a temática é escassa, e que os efeitos do racismo na saúde mental se apresentam em diferentes contextos e espaços, como: família, escola, redes sociais, mercado de trabalho e acesso ao atendimento clínico, exacerbando problemas de saúde mental, especialmente entre jovens adultos. Mulheres negras, em particular, são afetadas por microagressões que combinam racismo e sexismo, resultando em baixa autoestima e saúde mental fragilizada. No segundo artigo, com o intuito de compreender a identidade étnico-racial no Brasil e como ela poderia amortecer os impactos do racismo, adaptou-se para o Brasil a Cross Ethnic-Racial Identity Scale Adult (CERIS-A). Este artigo foi dividido em três estudos, sendo que no primeiro (N = 727) verificou-se que a estrutura de sete fatores da escala apresentou ajuste adequado do modelo aos dados (x2/gl = 2,57; CFI = 0,96; TLI = 0,95; RMSEA = 0,047), além de serem selecionados os dois itens mais informativos de cada fator (via Teoria de Resposta ao Item) para compor uma versão reduzida da escala, testada no segundo estudo (N = 415), onde foi realizada uma nova Análise Fatorial Confirmatória para a versão atual da escala, que também apresentou resultados que apoiam a adequação da estrutura de sete fatores da escala à amostra brasileira (x2/gl = 0,54; CFI = 1,00; TLI = 1,01; RMSEA = 0,00). O terceiro estudo do segundo artigo (N = 1.179) observou o funcionamento da CERIS-A para os diferentes grupos (i.e. brancos, pardos e pretos) através da análise de invariância, bem como comparou as médias de cada grupo (ANOVA) para cada fator da escala. Os resultados revelam que a CERIS-A é uma medida válida, precisa e consistente para os diferentes grupos, indicando confiabilidade para avaliar a identidade étnico-racial. O grupo de participantes pretos pontuou maiores escores em auto-ódio, antidominância, etnocentrismo e saliência étnico-racial. O terceiro e último artigo contou com 348 participantes racialmente diversos, com idades variando de 18 a 67 anos (M = 26; DP = 9,14) para atender ao objetivo principal desta dissertação, que foi o de verificar o papel moderador da identidade na relação entre sofrer racismo e consequências para a saúde mental das vítimas. Os resultados indicam que tanto a maior pontuação na percepção de racismo sofrido quanto as pontuações na escala de identidade têm efeitos diretos nos desfechos de saúde mental; porém, ao se testar a interação entre as duas as variáveis, houve moderação significativa apenas de alguns estágios (fatores) da identidade nas relações entre racismo percebido e ansiedade e racismo percebido e estresse pós-traumático (mas não nos desfechos de depressão, e uso de álcool); sendo que a ansiedade e o TEPT eram amenizados pela baixa identidade étnico-racial (assimilação) e pelos níveis intermediários (antidominância). No geral, conclui-se que o presente estudo poderá contribuir para aprofundar o conhecimento das evidências empíricas sobre os efeitos do racismo na saúde mental, bem como oferecer ferramentas que tornem possível pensar intervenções pautadas no fortalecimento e promoção de saúde da população afetada. |
| Abstract: | This dissertation aimed to gather and synthesize evidence on the impact of racism on the mental health of ethnoracial minorities, as well as to adapt an ethnoracial identity scale for use in the Brazilian context. The project is structured into three articles. The first article, through a scoping review, mapped national and international studies published over the past five years (sourced from BVS-Lilacs, PubMed, PsycNet, and Scielo) investigating the effects of racism on factors such as anxiety, depression, stress, and substance use. Six thematic categories emerged from the analysis: Symptomatology, Diagnoses, and Clinical Care; Racism and Identity; Racism and Police Violence; Vicarious Racism; Intersectionality of Racism and Gender; and Racism-COVID-19 Syndemic. The findings indicate a scarcity of empirical, quantitative studies on this topic in Brazilian scientific databases. Additionally, the effects of racism on mental health were found to occur across various contexts, including family, school, social networks, the labor market, and access to clinical care, exacerbating mental health issues, particularly among young adults. Black women were identified as being especially vulnerable, experiencing microaggressions that combine racism and sexism, leading to lowered self- esteem and compromised mental health. The second article sought to understand ethnoracial identity in Brazil and how it might buffer the impacts of racism by adapting the Cross Ethnic- Racial Identity Scale–Adult (CERIS-A) to the Brazilian context. This article comprises three studies. In the first study (N = 727), the seven-factor structure of the scale demonstrated good model fit (χ2/df = 2.57; CFI = 0.96; TLI = 0.95; RMSEA = 0.047). Furthermore, the two most informative items from each factor (identified through Item Response Theory) were selected to compose a shortened version of the scale. In the second study (N = 415), a new Confirmatory Factor Analysis was conducted, again supporting the adequacy of the seven-factor structure (χ2/df = 0.54; CFI = 1.00; TLI = 1.01; RMSEA = 0.00). The third study (N = 1,179) assessed the measurement invariance of the CERIS-A across different groups (i.e., White, Mixed-race, and Black participants) and compared mean scores across groups via ANOVA. The findings indicate that CERIS-A is a valid, reliable, and consistent measure across diverse groups. Notably, Black participants scored higher on the dimensions of Self-Hate, Anti-Dominance, Ethnocentrism, and Ethnoracial Salience. The third and final article involved 348 racially diverse participants, aged 18 to 67 years (M = 26, SD = 9.14), and addressed the primary aim of the dissertation: to examine the moderating role of ethnoracial identity in the relationship between perceived racism and mental health outcomes. Results showed that both higher perceived racism and higher scores on the ethnoracial identity scale had direct effects on mental health outcomes. However, when the interaction between perceived racism and ethnoracial identity was tested, significant moderation effects were found only for certain stages (factors) of identity in the relationships between perceived racism and anxiety, and between perceived racism and post-traumatic stress disorder (PTSD), but not for depression or alcohol use. Specifically, anxiety and PTSD symptoms were alleviated by lower levels of ethnoracial identity (assimilation) and by intermediate levels (anti-dominance). In sum, this study contributes to advancing empirical knowledge on the effects of racism on mental health and offers tools to inform interventions aimed at strengthening and promoting the well-being of affected populations. |
| Palavras-chave: | Racismo Saúde mental Identidade étnico-racial Racism Mental health Ethnic-racial identity |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Paraíba |
| Sigla da Instituição: | UFPB |
| Departamento: | Psicologia Social |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social |
| Tipo de Acesso: | Acesso aberto Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil |
| URI: | http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/ |
| URI: | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37188 |
| Data do documento: | 27-Mar-2025 |
| Aparece nas coleções: | Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social |
Arquivos associados a este item:
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|---|---|---|---|---|
| JosefaWanillaDaCostaMedeiros_Dissert_COM_Tarjamento.pdf | 1,53 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir | |
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