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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37364
Tipo: Dissertação
Título: Mulheres privadas de liberdade : necessidades em saúde, determinantes sociais e repercussões em uma penitenciária da Paraíba
Autor(es): Fernandes, Danielle Victor
Orientador: Morais, Maria do Socorro Trindade
Coorientador: Sampaio, Juliana
Orientador: Agnoletti, Michelle Barbosa
Orientador: Garcia, Renata Monteiro
Resumo: Introdução: O encarceramento feminino no Brasil tem crescido de forma alarmante, refletindo a interseção de desigualdades sociais, econômicas e de gênero. Mulheres encarceradas, muitas vezes marcadas por histórias de violência, pobreza e baixa escolaridade, encontram-se em um sistema prisional que agrava sua vulnerabilidade. Além da superlotação e das condições inadequadas, elas enfrentam negligência em suas necessidades básicas, especialmente no acesso à saúde física e mental. Essas circunstâncias não apenas comprometem sua qualidade de vida, mas também reforçam ciclos de exclusão social. Nesse contexto, compreender as razões do encarceramento feminino e as necessidades de saúde dessas mulheres se mostra essencial para subsidiar políticas públicas mais inclusivas e humanizadas. Assim, este estudo busca responder à seguinte pergunta: quais são as razões do encarceramento e as necessidades de saúde de mulheres privadas de liberdade em uma penitenciária na Paraíba? Objetivo: O objetivo principal foi compreender as razões do encarceramento e as necessidades de saúde de mulheres privadas de liberdade em uma penitenciária paraibana. Os objetivos específicos incluíram caracterizar o perfil sociodemográfico das participantes, identificar suas necessidades de saúde e explorar os determinantes sociais que influenciaram seu encarceramento. Metodologia: A pesquisa, de abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, foi realizada com 23 mulheres em regime fechado por no mínimo seis meses. A coleta de dados ocorreu entre setembro de 2023 e março de 2024, utilizando rodas de conversa, observação participante, entrevistas semiestruturadas e pesquisa documental. As informações foram transcritas, organizadas em categorias temáticas e analisadas conforme o método de Análise de Conteúdo de Bardin e o referencial das Necessidades Humanas Básicas. Resultados e Discussão: Os dados revelaram um perfil majoritariamente jovem (30-35 anos), com ensino fundamental incompleto e predominância de trabalhos informais antes da prisão. A maioria relatou histórico de violência familiar, negligência e rupturas emocionais, frequentemente associadas ao envolvimento no tráfico de drogas por motivos afetivos ou econômicos. A saúde física e mental das participantes foi fortemente impactada pelas condições prisionais, incluindo insônia, dores musculares, ansiedade e depressão. A alimentação inadequada, a precariedade nos serviços de saúde e o limitado apoio psicológico exacerbaram o sofrimento dessas mulheres. A religiosidade emergiu como estratégia de enfrentamento, enquanto a falta de suporte familiar perpetuava sentimentos de abandono. Considerações Finais: O estudo conclui que as condições de saúde e vida das mulheres privadas de liberdade refletem as desigualdades estruturais do sistema prisional brasileiro. A necessidade de reformulação das políticas públicas é urgente, visando garantir assistência integral, reduzir danos causados pelo encarceramento e promover a humanização do cuidado. A pesquisa contribui para ampliar a compreensão das trajetórias dessas mulheres e subsidiar estratégias mais inclusivas e equitativas em saúde prisional.
Abstract: Introduction: Female incarceration in Brazil has been increasing alarmingly, reflecting the intersection of social, economic, and gender inequalities. Incarcerated women, often marked by histories of violence, poverty, and low education levels, find themselves in a prison system that exacerbates their vulnerability. In addition to overcrowding and inadequate conditions, they face neglect regarding their basic needs, especially access to physical and mental health care. These circumstances not only compromise their quality of life but also reinforce cycles of social exclusion. In this context, understanding the reasons behind female incarceration and the health needs of these women becomes essential to support more inclusive and humanized public policies. Thus, this study seeks to answer the following question: What are the reasons for incarceration and the health needs of women deprived of liberty in a penitentiary in Paraíba? Objective: The main objective was to understand the reasons behind the incarceration and the health needs of women deprived of liberty in a penitentiary in Paraíba. Specific objectives included characterizing the sociodemographic profile of the participants, identifying their health needs, and exploring the social determinants that influenced their incarceration. Methodology: The research, with a qualitative, descriptive, and exploratory approach, was conducted with 23 women in closed regimes for at least six months. Data collection occurred between September 2023 and March 2024, using focus groups, participant observation, semi-structured interviews, and documentary research. The information was transcribed, organized into thematic categories, and analyzed according to Bardin's Content Analysis method and the framework of Basic Human Needs. Results and Discussion: The data revealed a predominantly young profile (30-35 years old), with incomplete primary education and a predominance of informal work before incarceration. Most participants reported a history of family violence, neglect, and emotional ruptures, often associated with involvement in drug trafficking for emotional or economic reasons. The physical and mental health of the participants was strongly affected by prison conditions, including insomnia, muscle pain, anxiety, and depression. Inadequate nutrition, precarious healthcare services, and limited psychological support exacerbated their suffering. Religiosity emerged as a coping strategy, while the lack of family support perpetuated feelings of abandonment. Final Considerations: The study concludes that the health and living conditions of women deprived of liberty reflect the structural inequalities of the Brazilian prison system. The urgent need for public policy reform is highlighted to ensure comprehensive care, reduce the harm caused by incarceration, and promote the humanization of care. The research contributes to broadening the understanding of these women's trajectories and supports the development of more inclusive and equitable strategies for prison health care.
Palavras-chave: Mulheres encarceradas - assistência à saúde
Encarceramento feminino
Pessoa privada de liberdade
Saúde da mulher
Women
Health care
Person deprived of liberty
Women's health
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal da Paraíba
Sigla da Instituição: UFPB
Departamento: Medicina
Programa: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Tipo de Acesso: Acesso aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
URI: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37364
Data do documento: 10-Dez-2024
Aparece nas coleções:Centro de Ciências da Saúde (CCS) - Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva

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