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https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/38414| Tipo: | Tese |
| Título: | "Se números frios não tocam a gente, espero que nomes consigam tocar gestão da morte e produção de memória na pandemia da Covid-19 a partir das enlutadas |
| Autor(es): | Silva , Weverson Bezerra |
| Orientador: | Gutiérrez, Mónica Lourdes Franch |
| Membro da Banca: | Neves, Ednalva Maciel |
| Membro da Banca: | Santos, Flavia Medeiros |
| Membro da Banca: | Lima, António Carlos Mota de |
| Membro da Banca: | Oliveira, Luciana Maria Ribeiro de |
| Membro da Banca: | Silva , Uliana Gomes da |
| Resumo: | Do ponto de vista antropológico, a morte e o morrer são considerados fatos sociais totais que permitem compreender a sociedade em que vivemos e suas singularidades, de acordo com o contexto histórico em que o indivíduo está inserido e com suas relações culturais, pois esses eventos transcendem o âmbito individual e desempenham um papel fundamental na construção da identidade coletiva, nas crenças, nos valores, nos rituais e nas formas de lidar com o luto, refletindo, assim, a complexidade dos cenários da morte. Em meio a uma pandemia, na qual a doença e a morte individual se fundem em uma experiência coletiva e traumática, os desafios se multiplicam, chamando a atenção não apenas para os aspectos sanitários, mas também para as dimensões sociais, simbólicas, políticas e éticas desse fenômeno. Esta tese insere-se no campo da Antropologia da Morte, buscando compreender os processos ritualísticos de terminalidade e morte das vítimas da Covid-19 na pandemia, por meio das experiências de mulheres enlutadas que perderam seus familiares nos anos de 2020 a 2021 no ambiente hospitalar, no momento de maiores restrições sanitárias que afetaram a realização dos ritos de passagem. Trata-se de uma etnografia multissituada, ancorada também em uma etnografia do testemunho, que privilegia a escuta das narrativas e experiências dessas mulheres. A pesquisa seguiu uma abordagem metodológica qualitativa, com a realização de entrevistas em profundidade. O perfil das 31 interlocutoras da pesquisa, com idades entre 23 e 75 anos, identifica-as como “guardiãs da memória”, evidenciando o papel socialmente atribuído às mulheres na produção, cuidado e transmissão das memórias da morte e do morrer. A distribuição geográfica dessas interlocutoras abrange as cinco grandes regiões do Brasil, conferindo à pesquisa uma perspectiva de âmbito nacional e permitindo observar diferentes contextos socioculturais atravessados pela pandemia. As perdas em massa e as normas de biossegurança em um curto espaço de tempo durante a pandemia suscitam uma reflexão sobre como o Estado atuou na elaboração de protocolos no momento dos rituais de despedida, bem como sobre as práticas do Estado em relação aos corpos contaminados pela Covid-19. Mas também nos levam a refletir sobre o modo como as pessoas, especialmente as mulheres, elevadas à condição de guardiãs da memória, cuidam da morte e dos mortos e produzem memória, mesmo em meio a situações extremas como as representadas pela pandemia da Covid- 19. Tendo isso em mente, a relevância deste trabalho recai em contribuir para a compreensão das transformações que ocorreram no campo ritual em torno da morte em tempos de Covid- 19: como aconteceu o tratamento do corpo morto contaminado pelo coronavírus (post-mortem) e quais são as implicações dessas modificações no processo ritualístico e suas ressignificações com o corpo morto. Essa análise antropológica destaca como as práticas funerárias foram afetadas e adaptadas durante a pandemia, considerando as restrições sanitárias, as tradições culturais impactadas e o manejo das emoções. Além disso, ao examinar as políticas públicas implementadas para lidar com os impactos da pandemia na esfera funerária e do luto, torna-se possível identificar como as autoridades governamentais condicionaram a maneira como as enlutadas lidaram com a passagem, bem como como essas intervenções regulamentares podem ter moldado a experiência da morte e o processo do luto no post-mortem. Dessa maneira, os resultados podem contribuir para um entendimento mais analítico sobre práticas voltadas para os corpos mortos na pandemia, bem como sobre políticas públicas que possam assegurar ações para as enlutadas, analisando as respostas produzidas em um contexto de crise sanitária. |
| Abstract: | From an anthropological perspective, death and dying are considered total social facts that allow
us to understand the society in which we live and its singularities, according to the historical
context in which the individual is embedded and their cultural relations, since these events
transcend the individual sphere and play a fundamental role in the construction of collective
identity, beliefs, values, rituals, and ways of dealing with grief, thus reflecting the complexity of
the scenarios of death. In the midst of a pandemic, in which illness and individual death merge
into a collective and traumatic experience, challenges multiply, drawing attention not only to
health-related aspects but also to the social, symbolic, political, and ethical dimensions of this
phenomenon. This thesis is situated within the field of the Anthropology of Death, seeking to
understand the ritual processes of terminality and death of Covid-19 victims during the
pandemic, through the experiences of bereaved women who lost their family members between
2020 and 2021 in hospital settings, at a time of heightened sanitary restrictions that affected the
performance of rites of passage. It is a multisited ethnography, also grounded in an ethnography
of testimony, which privileges listening to the narratives and experiences of these women. The
research followed a qualitative methodological approach, including in-depth interviews. The
profile of the 31 interlocutors in this research, aged between 23 and 75, identifies them as
“guardians of memory,” highlighting the socially attributed role of women in the production,
care, and transmission of memories of death and dying. The geographical distribution of these
interlocutors spans all five major regions of Brazil, providing the research with a nationwide
scope and enabling the observation of different sociocultural contexts shaped by the pandemic.
Mass losses and biosecurity regulations within a short period during the pandemic prompt
reflection on how the State acted in the development of protocols at the moment of farewell
rituals, as well as on State practices regarding bodies contaminated by Covid-19. They also lead
us to reflect on how people especially women, elevated to the condition of guardians of memory
care for death and the dead and produce memory, even amid extreme situations such as those
represented by the Covid-19 pandemic. With this in mind, the relevance of this work lies in
contributing to an understanding of the transformations that occurred in the ritual field
surrounding death in times of Covid-19: how the treatment of the body contaminated by the
coronavirus (post-mortem) took place and what the implications of these changes are for the
ritual process and its re-significations in relation to the dead body. This anthropological analysis
highlights how funeral practices were affected and adapted during the pandemic, considering
sanitary restrictions, impacted cultural traditions, and the management of emotions.
Furthermore, by examining the public policies implemented to address the impacts of the
pandemic in the funerary and grieving sphere, it becomes possible to identify how governmental
authorities conditioned the way bereaved women dealt with this transition, as well as how these
regulatory interventions may have shaped the experience of death and the grieving process in
the post-mortem. In this way, the results may contribute to a more analytical understanding of
practices directed toward dead bodies during the pandemic, as well as public policies that can
ensure actions for the bereaved, analyzing the responses produced in a context of sanitary crisis. RESUMEN Desde una perspectiva antropológica, la muerte y el morir son considerados hechos sociales totales que permiten comprender la sociedad en la que vivimos y sus singularidades, de acuerdo con el contexto histórico en el que el individuo está inserto y con sus relaciones culturales, ya que estos eventos trascienden el ámbito individual y desempeñan un papel fundamental en la construcción de la identidad colectiva, en las creencias, en los valores, en los rituales y en las formas de afrontar el duelo, reflejando, así, la complejidad de los escenarios de la muerte. En medio de una pandemia, en la que la enfermedad y la muerte individual se funden en una experiencia colectiva y traumática, los desafíos se multiplican, llamando la atención no solo sobre los aspectos sanitarios, sino también sobre las dimensiones sociales, simbólicas, políticas y éticas de este fenómeno. Esta tesis se inscribe en el campo de la Antropología de la Muerte, buscando comprender los procesos rituales de terminalidad y muerte de las víctimas de la Covid-19 durante la pandemia, a partir de las experiencias de mujeres en duelo que perdieron a sus familiares entre los años 2020 y 2021 en el ámbito hospitalario, en el momento de mayores restricciones sanitarias que afectaron la realización de los ritos de paso. Se trata de una etnografía multisituada, anclada también en una etnografía del testimonio, que privilegia la escucha de las narrativas y experiencias de estas mujeres. La investigación siguió un enfoque metodológico cualitativo, incluyendo la realización de entrevistas en profundidad. El perfil de las 31 interlocutoras de la investigación, con edades comprendidas entre 23 y 75 años, las identifica como “guardianas de la memoria”, evidenciando el papel socialmente atribuido a las mujeres en la producción, el cuidado y la transmisión de las memorias de la muerte y del morir. La distribución geográfica de estas interlocutoras abarca las cinco grandes regiones de Brasil, otorgando a la investigación una perspectiva de alcance nacional y permitiendo observar diferentes contextos socioculturales atravesados por la pandemia. Las pérdidas masivas y las normas de bioseguridad en un corto período de tiempo durante la pandemia suscitan una reflexión sobre cómo el Estado actuó en la elaboración de protocolos en el momento de los rituales de despedida, así como sobre las prácticas estatales en relación con los cuerpos contaminados por la Covid-19. Pero también nos llevan a reflexionar sobre la forma en que las personas, especialmente las mujeres, elevadas a la condición de guardianas de la memoria, cuidan de la muerte y de los muertos y producen memoria, incluso en medio de situaciones extremas como las representadas por la pandemia de la Covid-19. Teniendo esto en cuenta, la relevancia de este trabajo radica en contribuir a la comprensión de las transformaciones que ocurrieron en el campo ritual en torno a la muerte en tiempos de Covid-19: cómo se llevó a cabo el tratamiento del cuerpo muerto contaminado por el coronavirus (post-mortem) y cuáles son las implicaciones de estas modificaciones en el proceso ritual y sus resignificaciones en relación con el cuerpo muerto. Este análisis antropológico destaca cómo las prácticas funerarias fueron afectadas y adaptadas durante la pandemia, considerando las restricciones sanitarias, las tradiciones culturales impactadas y el manejo de las emociones. Además, al examinar las políticas públicas implementadas para hacer frente a los impactos de la pandemia en el ámbito funerario y del duelo, es posible identificar cómo las autoridades gubernamentales condicionaron la manera en que las enlutadas afrontaron la transición, así como cómo estas intervenciones regulatorias pudieron haber moldeado la experiencia de la muerte y el proceso de duelo en el post-mortem. De esta manera, los resultados pueden contribuir a una comprensión más analítica de las prácticas orientadas a los cuerpos muertos durante la pandemia, así como de las políticas públicas que puedan garantizar acciones para las personas en duelo, analizando las respuestas producidas en un contexto de crisis sanitaria. |
| Palavras-chave: | Antropologia da morte Pandemia Covid-19 Mulheres enlutadas Memória Enlutadas Antropología de la muerte Pandemic Mourners Memory Anthropology of death |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Paraíba |
| Sigla da Instituição: | UFPB |
| Departamento: | Educação |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Antropologia |
| Tipo de Acesso: | Acesso aberto Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil |
| URI: | http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/ |
| URI: | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/38414 |
| Data do documento: | 27-Fev-2026 |
| Aparece nas coleções: | Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Antropologia |
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