Use este identificador para citar ou linkar para este item:
https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/38713| Tipo: | Tese |
| Título: | Educação superior em dívida: a financeirização do ensino superior privado brasileiro (1999–2024) |
| Autor(es): | Silva, Alexandre Nascimento da |
| Orientador: | Jezine, Edineide |
| Orientador: | Araújo, Rhoberta Santana de |
| Membro da Banca: | Reis, Luiz Fernando |
| Membro da Banca: | Chaves, Vera Lúcia Jacob |
| Membro da Banca: | Castro, Alda Maria Duarte Araújo |
| Membro da Banca: | Silva, Marcus Quintanilha da |
| Resumo: | Este estudo analisa criticamente o processo de financeirização da educação superior privada no Brasil entre os anos de 1999 e 2024, com ênfase no papel desempenhado pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) como vetor central desse fenômeno. A pesquisa defende que, ao transferir massivamente recursos públicos para o setor privado, o FIES contribuiu para consolidar um modelo educacional subordinado à lógica especulativa do capital financeiro, transformando o direito à educação em obrigação pecuniária. A trajetória do programa revela como a expansão do crédito estudantil, em articulação com o avanço neoliberal, estimulou a atuação de conglomerados educacionais na Bolsa de Valores, que passaram a operar sob métricas empresariais e financeiras. A pesquisa está ancorada no referencial teóricometodológico do materialismo histórico-dialético e sustenta a hipótese de que as políticas públicas de financiamento, públicas e privadas, contribuíram decisivamente para o endividamento estrutural dos estudantes, o aumento da inadimplência e o aprofundamento das desigualdades socioeconômicas, evidenciando como o processo de financeirização impacta não apenas a esfera econômica, mas reconfigura os fundamentos das políticas públicas educacionais, subordinando a função social da educação à lógica de rentabilidade e acumulação de capital fictício. Ao analisar a atuação dos principais grupos educacionais privados listados na Bolsa: Cogna, Yduqs, Ânima, Ser Educacional, Cruzeiro do Sul e Vitru, demonstra-se como o Estado brasileiro, ao invés de garantir o acesso universal à educação superior pública e gratuita, tornou-se fiador de um modelo de “capitalismo sem riscos”, que socializa perdas e privatiza ganhos. Essa dinâmica mercantil reflete a consolidação de grandes conglomerados econômicos que tratam a oferta educacional como um serviço rentável, competitivo e integrado às dinâmicas globais de acumulação de capital. A pesquisa se desenvolve sob a abordagem qualitativa com uso de dados quantitativos sob a dimensão da mediação dialética. Os dados foram coletados em fontes oficiais como INEP, MEC, FNDE e CVM, enquanto os dados qualitativos foram extraídos de entrevistas públicas, declarações corporativas e discursos de CEO's nos relatórios de resultados. Das análises sobre o processo de financeirização do ensino superior brasileiro, constata-se que a reorientação das prioridades das políticas públicas compromete a democratização do acesso e intensifica a dívida estudantil, contribuindo para a ampliação das desigualdades educacionais e sociais no país e beneficiando o capital privado. A tese demonstra que a financeirização do ensino superior, impulsionada por FIES e crédito privado, converte o direito à educação em dívida, reposicionando o setor como ativo financeiro e disciplinando trajetórias pelo risco. Os dados evidenciam endividamento e inadimplência elevados, concentrados entre os mais pobres, consolidando a figura do “devedor perpétuo” e ampliando vulnerabilidades sociais, evasão e precarização. Verifica-se a captura do Estado e a transferência sistemática de fundo público a conglomerados privados, com mós-assificação da EAD e métricas de rentabilidade que erodem qualidade, equidade e o sentido público da universidade. Conclui-se pela necessidade de ruptura: regulação efetiva, financiamento público estável e não endividante, assistência estudantil robusta e fortalecimento da universidade pública, de modo a reverter a reprodução de desigualdades. |
| Abstract: | This study critically analyzes the financialization of private higher education in Brazil (1999–
2024), emphasizing the role of the Student Financing Fund (FIES) as a central vector of this
phenomenon. By massively transferring public resources to the private sector, FIES helped
consolidate an educational model subordinated to the speculative logic of finance capital,
transforming the right to education into a pecuniary obligation. The program’s trajectory shows
how the expansion of student credit—articulated with the neoliberal advance—stimulated the
activity of education conglomerates on the stock exchange, which began operating under
corporate and financial metrics. Anchored in the theoretical-methodological framework of
historical-dialectical materialism, the research sustains the hypothesis that public and private
financing policies decisively contributed to students’ structural indebtedness, rising default, and
deepening socioeconomic inequalities, evidencing that financialization not only affects the
economic sphere but also reconfigures the foundations of educational public policy by
subordinating the social function of education to profitability and the accumulation of fictitious
capital. By analyzing the major private education groups listed on the stock exchange—Cogna,
Yduqs, Ânima, Ser Educacional, Cruzeiro do Sul, and Vitru—the study demonstrates how the
Brazilian state, instead of guaranteeing universal access to free public higher education, became
the guarantor of a model of “risk-free capitalism” that socializes losses and privatizes gains.
This market dynamic reflects the consolidation of large conglomerates that treat educational
provision as a profitable, competitive service integrated into global circuits of capital
accumulation. The research employs a qualitative approach incorporating quantitative data
within the dimension of dialectical mediation. Data were collected from official sources such
as INEP, MEC, FNDE, and CVM, while qualitative evidence was drawn from public
interviews, corporate statements, and CEOs’ remarks in earnings reports. The analyses indicate
a reorientation of public policy priorities that compromises the democratization of access and
intensifies student debt, thereby expanding educational and social inequalities and
strengthening private capital.The thesis shows that the financialization of higher education—
driven by FIES and private credit—turns the right to education into debt, repositioning the
sector as a financial asset and disciplining life trajectories through risk. Evidence of high
indebtedness and default, concentrated among the poorest, consolidates the figure of the
“perpetual debtor” and heightens vulnerability, dropout, and precarization. It also reveals state
capture and the systematic transfer of public funds to private conglomerates, alongside the
massification of distance education (EaD) and profitability metrics that erode quality, equity,
and the public meaning of the university. The study concludes that a rupture is necessary:
effective regulation, stable non-debt-creating public financing, robust student assistance, and
strengthening of public universities to reverse the reproduction of inequalities. RESUMEN. Este estudio analiza críticamente la financiarización de la educación superior privada en Brasil (1999–2024), con énfasis en el papel del Fondo de Financiamiento Estudiantil (FIES) como vector central de este fenómeno. Al transferir masivamente recursos públicos al sector privado, el FIES contribuyó a consolidar un modelo educativo subordinado a la lógica especulativa del capital financiero, transformando el derecho a la educación en una obligación pecuniaria. La trayectoria del programa muestra cómo la expansión del crédito estudiantil —articulada con el avance neoliberal— estimuló la actuación de conglomerados educativos en la Bolsa de Valores, que pasaron a operar bajo métricas empresariales y financieras. Anclada en el marco teóricometodológico del materialismo histórico-dialéctico, la investigación sostiene la hipótesis de que las políticas de financiamiento, públicas y privadas, contribuyeron decisivamente al endeudamiento estructural de los estudiantes, al aumento de la morosidad y al agravamiento de las desigualdades socioeconómicas, evidenciando que la financiarización no solo afecta la esfera económica, sino que reconfigura los fundamentos de las políticas públicas educativas al subordinar la función social de la educación a la rentabilidad y a la acumulación de capital ficticio. Al analizar los principales grupos educativos privados listados en la bolsa —Cogna, Yduqs, Ânima, Ser Educacional, Cruzeiro do Sul y Vitru—, se demuestra cómo el Estado brasileño, en lugar de garantizar el acceso universal y gratuito a la educación superior pública, se volvió fiador de un modelo de “capitalismo sin riesgos” que socializa pérdidas y privatiza ganancias. Esta dinámica mercantil refleja la consolidación de grandes conglomerados que tratan la oferta educativa como un servicio rentable, competitivo e integrado a las dinámicas globales de acumulación de capital. La investigación adopta un enfoque cualitativo con uso de datos cuantitativos bajo la dimensión de la mediación dialéctica. Los datos se recopilaron en fuentes oficiales como INEP, MEC, FNDE y CVM, mientras que la evidencia cualitativa se extrajo de entrevistas públicas, declaraciones corporativas y discursos de directores ejecutivos en informes de resultados. Los análisis indican una reorientación de las prioridades de la política pública que compromete la democratización del acceso e intensifica la deuda estudiantil, ampliando desigualdades educativas y sociales y fortaleciendo al capital privado. La tesis demuestra que la financiarización de la educación superior —impulsada por FIES y el crédito privado— convierte el derecho a la educación en deuda, reposiciona el sector como activo financiero y disciplina las trayectorias vitales mediante el riesgo. La evidencia de alto endeudamiento y morosidad, concentrada entre los más pobres, consolida la figura del “deudor perpetuo” e intensifica la vulnerabilidad, la deserción y la precarización. Asimismo, revela captura del Estado y transferencia sistemática de fondos públicos a conglomerados privados, junto con la masificación de la educación a distancia (EaD) y métricas de rentabilidad que erosionan la calidad, la equidad y el sentido público de la universidad. Se concluye que es necesaria una ruptura: regulación efectiva, financiamiento público estable y no endeudante, asistencia estudiantil robusta y fortalecimiento de las universidades públicas para revertir la reproducción de desigualdades. |
| Palavras-chave: | Ensino superior Endividamento Financeirização Higher education Indebtedness Financialization Educación superior Deuda estudiantil Financiarización |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Paraíba |
| Sigla da Instituição: | UFPB |
| Departamento: | Educação |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Educação |
| Tipo de Acesso: | Acesso aberto Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil |
| URI: | http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/ |
| URI: | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/38713 |
| Data do documento: | 31-Jul-2025 |
| Aparece nas coleções: | Centro de Educação (CE) - Programa de Pós-Graduação em Educação |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| AlexandreNascimentoDaSilva_Tese.pdf | 4,22 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
Este item está licenciada sob uma
Licença Creative Commons
