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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39295
Tipo: Dissertação
Título: Por isso agora, catadora, é dada a hora da bravura e do fervor : trajetórias de vida e de trabalho de mulheres catadoras de materiais recicláveis
Autor(es): Fernandes, Gabriela Bayma Remos
Orientador: Máximo, Thais Augusta Cunha de Oliveira
Membro da Banca: Geremias, Alessandra Renata
Membro da Banca: Torres, Tatiana de Lucena
Membro da Banca: Moita, Dímitre Sampaio
Resumo: A questão do trabalho informal no Brasil, aqui entendido como aquele não regulado pelo Estado, é uma realidade no país desde os primeiros contornos de um mercado de trabalho brasileiro. Amplamente composto por pessoas pretas e pardas em situação de vulnerabilidade socioeconômica no período pós-abolição da escravatura, ainda hoje preserva essas características. Uma das faces da informalidade é o trabalho de catação de materiais recicláveis, uma modalidade de trabalho que, sob estatísticas imprecisas, mas relatos concretos, acolhe uma parte significativa das mulheres trabalhadoras no país. Sob condições de trabalho desafiadoras, encontram na catação uma alternativa ao desemprego. Assim, esta pesquisa teve como objetivo analisar as trajetórias de vida e de trabalho de mulheres catadoras de materiais recicláveis. Para tal, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com nove mulheres catadoras, sendo seis cooperadas e três que catam somente nas ruas. Os registros no diário de campo e a observação participante decorrente dos meses de pesquisa de campo também contribuíram para o contar das histórias apresentadas. A análise das entrevistas foi realizada por meio da Análise Dialógica do Discurso, a partir do aporte teórico da Divisão Sexual do Trabalho e da postura crítica proposta pela Psicologia Social do Trabalho. Os resultados mostram que a trajetória no trabalho informal é, na maioria dos casos, a única trajetória já vivida. Mais do que isso, o trabalho inicia ainda nas primeiras fases da vida, seja ele remunerado ou não remunerado, resultando em abandono da vida escolar e da renúncia da infância. As trabalhadoras acumulam experiências de trabalho remunerado não registrado e que, somados ao trabalho doméstico e do cuidado atribuídos à elas a partir da divisão de papéis que se ancora nas relações sociais de sexo, resultam em trajetórias exaustivas e pouco reconhecidas por aqueles com quem compartilhavam o cotidiano. Entretanto, destacamos também a resistência de mulheres que, atravessadas por muito sofrimento, ainda mantêm a capacidade de se reinventar e se recusam a sucumbir. Valorizam a própria força que as sustentou até o momento presente. Reforçamos o longo caminho que ainda há para percorrer rumo à uma sociedade na qual a divisão de papéis entre homens e mulher não seja determinante para a posição subordinada da mulher nas relações de poder, assim como a necessidade de, enquanto Psicologia, não permitir que continuem invisibilizadas as modalidades de trabalho que existem no espectro da economia informal, assumindo o compromisso de andar lado a lado com os trabalhadores em direção à condições de vida e trabalho mais dignas.
Abstract: The issue of informal work in Brazil, understood as the activities not regulated by the State, has been a reality in the country since the early formation of a Brazilian labor market. Largely composed of black people under socioeconomic vulnerability in the post-abolition period, it still preserves these characteristics today. One facet of informality is the collection of recyclable materials, a type of work that under imprecise statistics but concrete reports, includes a significant portion of working women in the country. Under challenging working conditions, these women have the waste picking as an alternative to unemployment. Thus, this research aimed to analyze the life and work trajectories of women waste pickers. To this end, semi-structured interviews were conducted with nine women waste pickers, six of whom were members of cooperatives and three who collected materials exclusively on the streets. Field diary records and participant observation conducted over months of fieldwork also contributed to the narration of the stories presented. The analysis of the interviews was carried out through Dialogic Discourse Analysis, based on the theoretical framework of the Sexual Division of Labor and the critical perspective proposed by Social Psychology of Work. The results show that the trajectory in informal work is, in most cases, the only trajectory these women have ever experienced. Moreover, work begins in the earliest stages of life, whether paid or unpaid, resulting from school dropout and the resignation of childhood. The workers accumulate experiences of unregistered paid work which, combined with domestic and care work assigned to them through a gendered division of roles rooted in social relations of sex, result in exhausting trajectories that are scarcely recognized by those with whom they shared their daily lives. Nevertheless, we also highlight the resistance of women who, despite enduring significant suffering, maintain the capacity to reinvent themselves and refuse to back down. They value the strength that has sustained them up to the present. We emphasize the long path still to be traveled toward a society in which the division of roles between men and women is not determinant of women’s subordinate position in power relations, as well as the need for Psychology to ensure that forms of work existing within the spectrum of the informal economy do not remain invisible, assuming the commitment to walk side by side with workers toward more dignified living and working conditions.
RESUMEN La cuestión del trabajo informal en Brasil, entendido aquí como aquel no regulado por el Estado, es una realidad en el país desde los primeros contornos de un mercado laboral brasileño. Ampliamente compuesto por personas negras y pardas en situación de vulnerabilidad socioeconómica en el período posterior a la abolición de la esclavitud, aún hoy conserva estas características. Una de las caras de la informalidad es la recolección de materiales reciclables, una modalidad de trabajo que, bajo estadísticas imprecisas pero relatos concretos, acoge a una parte significativa de las mujeres trabajadoras en el país. En condiciones laborales desafiantes, encuentran en la recolección una alternativa al desempleo. Así, esta investigación tuvo como objetivo analizar las trayectorias de vida y de trabajo de mujeres recolectoras de materiales reciclables. Para ello, se realizaron entrevistas semiestructuradas con nueve mujeres recolectoras, seis de ellas integrantes de cooperativas y tres que recolectan exclusivamente en las calles. Los registros en el diario de campo y la observación participante derivada de meses de trabajo de campo también contribuyeron a la narración de las historias presentadas. El análisis de las entrevistas se realizó mediante el Análisis Dialógico del Discurso, a partir del aporte teórico de la División Sexual del Trabajo y de la postura crítica propuesta por la Psicología Social del Trabajo. Los resultados muestran que la trayectoria en el trabajo informal es, en la mayoría de los casos, la única trayectoria vivida. Más que eso, el trabajo comienza en las primeras etapas de la vida, sea remunerado o no remunerado, como resultado del abandono escolar y la renuncia a la infancia. Las trabajadoras acumulan experiencias de trabajo remunerado no registrado que, sumadas al trabajo doméstico y de cuidados atribuido a ellas a partir de una división de roles anclada en las relaciones sociales de sexo, resultan en trayectorias exhaustivas y poco reconocidas por quienes compartían su vida cotidiana. Sin embargo, también destacamos la resistencia de mujeres que, atravesadas por mucho sufrimiento, mantienen la capacidad de reinventarse y se niegan a sucumbir. Valoran la propia fuerza que las ha sostenido hasta el presente. Reforzamos el largo camino que aún queda por recorrer hacia una sociedad en la cual la división de roles entre hombres y mujeres no sea determinante de la posición subordinada de la mujer en las relaciones de poder, así como la necesidad de que, desde la Psicología, no se permita que continúen invisibilizadas las modalidades de trabajo existentes en el espectro de la economía informal, asumiendo el compromiso de caminar junto a los trabajadores hacia condiciones de vida y trabajo más dignas.
Palavras-chave: Psicologia social do trabalho
Economia informal
Catadoras de materiais recicláveis
Divisão sexual do trabalho
Trabalho feminino
Informal economy
Women waste pickers
Women’s work
Sexual division of labor
Social Psychology of Work
Economía informal
Mujeres recolectoras de materiales reciclables
Trabajo femenino
División sexual del trabajo
Psicología Social del Trabajo
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal da Paraíba
Sigla da Instituição: UFPB
Departamento: Psicologia Social
Programa: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
Tipo de Acesso: Acesso aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
URI: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39295
Data do documento: 25-Mar-2026
Aparece nas coleções:Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social

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