Skip navigation

Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39330
Tipo: Tese
Título: Influenciadores digitais e reprodução simbólica da precarização do trabalho: fabricação de trabalhadores e legitimação da insegurança na contemporaneidade
Autor(es): Estrêla, Iolivalda Lima
Orientador: Rombaldi, Maurício
Membro da Banca: Oliveira, Roberto Véras de
Membro da Banca: Roncato, Mariana Shinohara
Membro da Banca: Bridi, Maria Aparecida da Cruz
Membro da Banca: Tomizaki, Kimi Aparecida
Resumo: A presente pesquisa analisa a prática dos influenciadores digitais do trabalho a partir de uma perspectiva que articula, de forma indissociável, as dimensões materiais e simbólicas do trabalho contemporâneo. O objetivo central consiste em examiná-los como agentes de reprodução simbólica da precarização do trabalho, bem como em analisar as formas pelas quais eles próprios experienciam modalidades de inserção laboral precária. Para tanto, parte-se da hipótese de que esses influenciadores ocupam uma posição singular na dinâmica capitalista, uma vez que difundem valores e normas que reforçam a legitimidade do capitalismo ao mesmo tempo em que experimentam condições de ausência da proteção estatal no campo do trabalho. Produzem narrativas orientadas ao ajustamento das percepções e condutas dos trabalhadores às exigências flexíveis do mercado neoliberal, contribuindo para a legitimação da instabilidade estrutural do trabalho. A análise concentra-se, assim, nos modos pelos quais disposições incorporadas ao longo de suas trajetórias, frequentemente marcadas por experiências corporativas, se reconfiguram no ambiente digital, no qual o valor do trabalho passa a depender da visibilidade e da performance. A metodologia combina netnografia aplicada a perfis do Instagram e do LinkedIn, análise crítica das métricas que estruturam hierarquias algorítmicas e a realização de dez entrevistas em profundidade, voltadas à compreensão dos processos de socialização, com ênfase nos percursos ocupacionais, nas reconversões de capitais e nos modos de subjetivação do trabalho. Os resultados indicam que esses influenciadores constituem um grupo heterogêneo, embora atravessado por características similares, como elevado capital escolar, experiências profissionais prévias em cargos executivos, domínio de códigos gerenciais e forte inclinação ao empreendedorismo. Observa-se que a experiência da desproteção social do trabalho se faz possível por rendimentos acumulados em momentos anteriores de suas trajetórias, no entanto, esses agentes difundem discursos que atribuem ao indivíduo a responsabilidade exclusiva por sua sobrevivência no mercado. Nesse contexto, consolida-se a figura do trabalhador híbrido, capaz de articular múltiplas atividades remuneradas, como influenciador, consultor, mentor e palestrante, personificando as exigências multivalentes da economia digital. Por fim, a tese propõe uma reflexão acerca do modo como esses influenciadores devem ser compreendidos, ou seja, como trabalhadores plenamente integrados ao ideário contemporâneo de sucesso ou como sujeitos inseridos em novas formas de precariedade revestidas de autonomia e prestígio. A resposta, necessariamente provisória, reafirma a relevância do estudo e aponta para a necessidade de aprofundar, em pesquisas futuras, as contradições que estruturam o trabalho na era da influência digital.
Abstract: This research analyzes the practices of digital work influencers from a perspective that inextricably links the material and symbolic dimensions of contemporary work. The central objective is to examine them as agents of symbolic reproduction of precarious work, as well as to analyze the ways in which they themselves experience precarious forms of labor insertion. To this end, it starts from the hypothesis that these influencers occupy a unique position in capitalist dynamics, since they disseminate values and norms that reinforce the legitimacy of capitalism while simultaneously experiencing conditions of absence of state protection in the field of work. They produce narratives oriented towards adjusting workers' perceptions and behaviors to the flexible demands of the neoliberal market, contributing to the legitimization of the structural instability of work. The analysis thus focuses on the ways in which dispositions incorporated throughout their trajectories, often marked by corporate experiences, are reconfigured in the digital environment, where the value of work comes to depend on visibility and performance. The methodology combines netnography applied to Instagram and LinkedIn profiles, critical analysis of the metrics that structure algorithmic hierarchies, and ten in-depth interviews aimed at understanding socialization processes, with an emphasis on occupational trajectories, capital reconversions, and modes of work subjectivation. The results indicate that these influencers constitute a heterogeneous group, although traversed by similar characteristics, such as high educational capital, previous professional experience in executive positions, mastery of management codes, and a strong inclination towards entrepreneurship. It is observed that the experience of social insecurity at work is made possible by income accumulated at earlier stages of their trajectories; however, these agents disseminate discourses that attribute to the individual the exclusive responsibility for their survival in the market. In this context, the figure of the hybrid worker is consolidated, capable of articulating multiple paid activities, such as influencer, consultant, mentor, and speaker, embodying the multifaceted demands of the digital economy. Finally, the thesis proposes a reflection on how these influencers should be understood, that is, as workers fully integrated into the contemporary ideal of success or as subjects embedded in new forms of precariousness disguised as autonomy and prestige. The answer, necessarily provisional, reaffirms the relevance of the study and points to the need to further explore, in future research, the contradictions that structure work in the age of digital influence.
RESUMEN. Esta investigación analiza las prácticas de los influencers digitales del trabajo desde una perspectiva que vincula inextricablemente las dimensiones materiales y simbólicas del trabajo contemporáneo. El objetivo central es examinarlos como agentes de reproducción simbólica de la precarización laboral, así como analizar las formas en que ellos mismos experimentan formas precarias de inserción laboral. Para ello, se parte de la hipótesis de que estos influencers ocupan una posición única en la dinámica capitalista, ya que difunden valores y normas que refuerzan la legitimidad del capitalismo, a la vez que experimentan condiciones de ausencia de protección estatal en el ámbito laboral. Producen narrativas orientadas a ajustar las percepciones y comportamientos de los trabajadores a las demandas flexibles del mercado neoliberal, contribuyendo a la legitimación de la inestabilidad estructural del trabajo. El análisis se centra, por tanto, en cómo las disposiciones incorporadas a lo largo de sus trayectorias, a menudo marcadas por experiencias corporativas, se reconfiguran en el entorno digital, donde el valor del trabajo pasa a depender de la visibilidad y el rendimiento. La metodología combina la netnografía aplicada a perfiles de Instagram y LinkedIn, el análisis crítico de las métricas que estructuran las jerarquías algorítmicas y diez entrevistas en profundidad destinadas a comprender los procesos de socialización, con énfasis en las trayectorias ocupacionales, las reconversiones de capital y los modos de subjetivación del trabajo. Los resultados indican que estos influenciadores constituyen un grupo heterogéneo, aunque atravesado por características similares, como un alto capital educativo, experiencia profesional previa en puestos ejecutivos, dominio de los códigos de gestión y una fuerte inclinación hacia el emprendimiento. Se observa que la experiencia de la inseguridad social en el trabajo es posible gracias a los ingresos acumulados en etapas anteriores de sus trayectorias; sin embargo, estos agentes difunden discursos que atribuyen al individuo la responsabilidad exclusiva de su supervivencia en el mercado. En este contexto, se consolida la figura del trabajador híbrido, capaz de articular múltiples actividades remuneradas, como influenciador, consultor, mentor y conferenciante, encarnando las demandas multifacéticas de la economía digital. Finalmente, la tesis propone una reflexión sobre cómo comprender a estos influenciadores, es decir, como trabajadores plenamente integrados en el ideal contemporáneo de éxito o como sujetos insertos en nuevas formas de precariedad disfrazadas de autonomía y prestigio. La respuesta, necesariamente provisional, reafirma la relevancia del estudio y señala la necesidad de profundizar, en futuras investigaciones, en las contradicciones que estructuran el trabajo en la era de la influencia digital.
Palavras-chave: Influenciadores do trabalho
Marcadores de legitimação
Precarização do trabalho
Reprodução simbólica
Influencers of work
Markers of legitimation
Precarious work
Symbolic reproduction
Influenciadores laborales
Marcadores de legitimación
Precarización del trabajo
Reproducción simbólica
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal da Paraíba
Sigla da Instituição: UFPB
Departamento: Sociologia
Programa: Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Tipo de Acesso: Acesso aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
URI: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39330
Data do documento: 23-Fev-2026
Aparece nas coleções:Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Arquivos associados a este item:
Arquivo Descrição TamanhoFormato 
IolivaldaLimaEstrêla_Tese.pdf7 MBAdobe PDFVisualizar/Abrir


Este item está licenciada sob uma Licença Creative Commons Creative Commons