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metadata.dc.type: Tese
Title: Ideologia e capital: crítica da razão imanente à sociedade moderna
metadata.dc.creator: Araújo, Wécio Pinheiro
metadata.dc.contributor.advisor1: Vieira, Antonio Rufino
metadata.dc.contributor.advisor-co1: Türcke, Christoph
metadata.dc.description.resumo: Esta tese oferece um acesso crítico ao problema da ideologia situado no seio da relação entre realidade e consciência na sociedade moderna. Elaboramos a questão a partir da ontologia hegeliana atualizada pela crítica marxiana, isto é, como um totalidade formada a partir de mediações disparadas por meio da contradição fundamental que desenhamos enquanto uma distensão formada por rupturas e continuidades entre: de um lado, o conteúdo das relações sociais historicamente estabelecidas, isto é, a realidade concreta do capital enquanto razão social imanente à sociedade moderna, decifrado em formas sociais como o valor, a mercadoria, o capital financeiro, o capital fictício, etc.; e de outro, a forma que adquire consciência a maneira como essas relações são vivenciadas pelos indivíduos nesta sociedade sob a mediação da forma ideologia. Situamos as distensões provocadas por essa contradição determinante no campo global da interação entre realidade e consciência como uma contradição sempre em processo. Contradição entre conteúdo e forma, que se desdobra em uma série de determinações, formando assim uma totalidade constituída a partir de como esses fenômenos estabelecem mediações interagindo entre si na conformação de uma complexa teia que nos acostumamos a definir como sociedade. Pensar assim requer que não se conceba a realidade como uma coisa externa; mas, ao contrário, de maneira ontológica enquanto uma exteriorização e uma extensão do próprio ser humano compreendido como um ser social (gesellschaftliche Wesen). Teorizamos que o ser humano é um produtor não apenas de valores de uso, mas de realidade, que se materializa por meio dos mesmos processos a partir dos e pelos quais é produzida, isto é: o trabalho e a linguagem como uma unidade em sua razão social imanente que se manifesta objetivamente na história entre conteúdo e forma. Em nossa análise, demostramos como Marx herda de Hegel a chave da questão: aquilo que produzimos como realidade deve ser compreendido em termos das suas condições de produção simultaneamente subjetivas e objetivas. Em nossa argumentação, por meio do conceito de virtualidade real, descortina-se uma conexão profunda entre o problema da ideologia reelaborado a partir de um acesso ontológico-dialético resgatado em Hegel, e o problema da forma do valor (Wertform) em Marx, desde a forma mercadoria (Warenform) até a razão imanente ao capital fictício (fiktives Kapital) neste século XXI. A ideologia se mostra como uma astuciosa forma social que adquire a ideia na maneira dos indivíduos vivenciarem a razão imanente ao real produzida enquanto conteúdo das relações sociais historicamente estabelecidas sob a dominação capitalista. Concluímos que a ideologia opera “harmonizando” as contradições à medida que produz uma “verdade” social que abrange sua própria falsidade. Essa complexidade é o que denominamos por virtualidade real: a ideologia não falseia o real, mas constitui sorrateiramente a realidade em seu processo de produção como uma progressão imanente assentada no movimento profundo dessa sociedade na interação entre realidade e consciência, desde o processo de trabalho transpassado pela linguagem, até como este é subsumido e se torna apenas um momento do desenvolvimento do capital. Por fim, apresentamos dois momentos de análise no sentido de produzir alguns diagnósticos acerca da realidade política contemporânea: i) O primeiro analisa as mediações entre ideologia, capital e Estado na quadra histórica brasileira iniciada com o Plano Real; ii) O segundo analisa o contexto hodierno entre ideologia e capital na era digital da automação do trabalho e da robotização da subjetividade política.
Abstract: This thesis offers a critical access to the problem of ideology situated within the relation between reality and consciousness in modern society. We elaborate the question from the Hegelian ontology updated by the Marxian critique, that is, as a totality formed from mediations triggered by means of the fundamental contradiction that we design as a distension formed by ruptures and continuities between: on the one hand, the content of the relations that is, the concrete reality of capital as a social reason immanent to modern society, deciphered in social forms such as value, commodity, financial capital, fictitious capital, etc .; and on the other, the form that acquires consciousness the way these relations are experienced by the individuals in this society under the mediation of the ideology form. We situate the detours provoked by this determining contradiction in the global field of the interaction between reality and consciousness as a contradiction always in process. Contradiction between content and form, which unfolds in a series of determinations, thus forming a totality constituted from how these phenomena establish mediations interacting with each other in the conformation of a complex web that we are accustomed to define as society. Thinking like this requires that reality is not conceived as an external thing; but, on the contrary, ontologically as an externalization and extension of the human being understood as a social being (gesellschaftliche Wesen). We theorize that the human being is a producer not only of values of use, but of reality, which materializes through the same processes from and through which is produced, that is: work and language as a unit in its reason social identity that manifests objectively in history between content and form. In our analysis, we demonstrate how Marx inherits from Hegel the key to the question: what we produce as reality must be understood in terms of its conditions of production both subjective and objective. In our argument, through the concept of real virtuality, a deep connection is found between the problem of ideology reworked from an ontologicaldialectical access rescued in Hegel, and the problem of the form of value (Wertform) in Marx, since the commodity form (Warenform) to the reason immanent to fictitious capital (fiktives Kapital) in this twenty-first century. Ideology shows itself as an astute social form that acquires the idea in the way individuals experience the immanent reason to the real produced as a content of social relations historically established under capitalist domination. We conclude that ideology operates by "harmonizing" contradictions as it produces a social "truth" that covers its own falsity. This complexity is what we call real virtuality: ideology does not distort the real, but it sneaks reality into its production process as an immanent progression based on the profound movement of that society in the interaction between reality and consciousness, from the process of working through by language, even as it is subsumed and becomes only a moment of the development of capital. Finally, we present two moments of analysis in order to produce some diagnoses about contemporary political reality: i) The first analyzes the mediations between ideology, capital and state in the Brazilian historical block initiated with the Real Plan; ii) The second analyzes the current context of ideology and capital in the digital era of automation of work and the robotization of political subjectivity.
Keywords: Ideologia
Capital
Razão
Ideia
Virtualidade real
Ideology
Reason
Real virtuality
metadata.dc.subject.cnpq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
metadata.dc.language: por
metadata.dc.publisher.country: Brasil
Publisher: Universidade Federal da Paraíba
metadata.dc.publisher.initials: UFPB
metadata.dc.publisher.department: Filosofia
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-Graduação em Filosofia
metadata.dc.rights: Acesso Aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
metadata.dc.rights.uri: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/14853
Issue Date: 3-Dec-2018
Appears in Collections:Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Filosofia

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