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https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37864| Tipo: | TCC |
| Título: | Química e povos originários: práticas tradicionais e sua aplicação no ensino de química |
| Autor(es): | Santos, Natália de Souza dos |
| Orientador: | Dutra-Pereira, Franklin Kaic |
| Membro da Banca: | Messias Bichinho, Kátia |
| Membro da Banca: | Moreira, Dayse das Neves |
| Resumo: | O Brasil é um país marcado pela diversidade cultural e pela presença de múltiplos saberes, entre eles os conhecimentos tradicionais dos povos originários, que habitavam estas terras muito antes da colonização portuguesa. Entretanto, a educação pública ainda se estrutura majoritariamente sob um modelo tradicional de ensino, o que dificulta a aprendizagem, sobretudo em áreas de ciências exatas e da natureza, como a Química, que é frequentemente percebida pelos/as alunos/as como uma disciplina de difícil compreensão e de pouca relevância social, associada apenas a cálculos, fórmulas e regras. Nesse contexto, a adoção de metodologias que dialoguem com práticas químicas tradicionais dos povos originários, como o uso e a manipulação de plantas, pode aproximar os conteúdos científicos do cotidiano e da cultura dos/as estudantes, promovendo um aprendizado contextualizado, relevante e sensível à diversidade cultural. Além disso, tal abordagem favorece o engajamento, a curiosidade, a reflexão crítica e o protagonismo dos/as estudantes no processo educativo. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar práticas tradicionais dos povos originários, especialmente aquelas relacionadas ao uso de produtos naturais, para compreender de que maneira podem contribuir para tornar os saberes tradicionais relacionados com a Química uma prática culturalmente valorizada. A pesquisa foi desenvolvida com turmas da 2ª série do Ensino Médio de uma escola pública do interior da Paraíba, tendo como foco a produção do cauim e a extração de pigmentos naturais (urucum, jenipapo e açafrão-da-terra), relacionando tais práticas aos conteúdos previstos no currículo de Química. As oficinas foram organizadas em seis momentos: i) apresentação dos povos originários e contextualização histórica; ii) levantamento dos conhecimentos prévios dos/as estudantes por meio de roda de conversa; iii) introdução aos conceitos básicos de Química Orgânica; iv) realização das atividades experimentais em grupos; v) explicitação da fundamentação teórica da Química envolvida nas práticas; e vi) aplicação de questionário avaliativo. Ao todo, foram realizadas seis aulas de atividades. A construção dos dados envolveu gravações em áudio das rodas de conversa, aplicação de questionário com questões objetivas e discursivas via Google Forms, registros fotográficos e produções de desenhos elaborados com as tintas naturais produzidas nas oficinas pelos/as estudantes. O material foi transcrito, organizado e analisado qualitativamente, possibilitando a construção de indicadores interpretativos a partir das narrativas e interações dos participantes. Os resultados evidenciam que a proposta metodológica favoreceu maior engajamento, participação e interesse dos/as estudantes. Observou-se ampliação da compreensão de conceitos como fermentação, solubilidade, funções orgânicas, interação soluto-solvente, métodos de separação de misturas e extração, bem como maior reconhecimento da relevância social e cultural da ciência. As falas e produções dos/as estudantes indicaram aproximações significativas entre saberes tradicionais e conhecimentos científicos, contribuindo para a valorização da diversidade cultural e para a construção de uma aprendizagem mais crítica e contextualizada. |
| Abstract: | Brazil is a country characterized by cultural diversity and the presence of multiple forms of knowledge, including the traditional knowledge of Indigenous peoples who inhabited these lands long before Portuguese colonization. However, public education is still predominantly structured around a traditional teaching model, which can hinder learning, particularly in the fields of exact and natural sciences, such as Chemistry. This subject is often perceived by students as difficult and socially irrelevant, commonly associated only with calculations, formulas, and rules. In this context, the adoption of methodologies that incorporate traditional chemical practices of Indigenous peoples, such as the use and processing of plants, may help connect scientific content to students’ daily lives and cultural backgrounds. Such an approach promotes contextualized and meaningful learning while recognizing cultural diversity. Moreover, it encourages engagement, curiosity, critical thinking, and active student participation in the educational process. Therefore, this study aims to analyze traditional practices of Indigenous peoples, especially those related to the use of natural products, in order to understand how they can contribute to valuing traditional knowledge associated with Chemistry as a cultural practice. The research was conducted with second-year high school students at a public school in the countryside of Paraíba, Brazil. The study focused on the production of cauim and the extraction of natural pigments (annatto, genipap, and turmeric), relating these practices to the Chemistry curriculum. The workshops were organized into six stages: (i) presentation of Indigenous peoples and historical contextualization; (ii) identification of students’ prior knowledge through a discussion circle; (iii) introduction to basic concepts of Organic Chemistry; (iv) group experimental activities; (v) explanation of the theoretical foundations of the Chemistry involved; and (vi) application of an evaluative questionnaire. A total of six classes were conducted of activities. Data collection included audio recordings of the discussion circles, questionnaires containing both multiple-choice and open-ended questions administered via Google Forms, photographic records, and drawings produced by students using the natural pigments prepared during the workshops. The material was transcribed, organized, and qualitatively analyzed, enabling the development of interpretative categories based on participants’ narratives and interactions. The results indicate that the proposed methodology promoted greater student engagement, participation, and interest. An improvement in the understanding of concepts such as fermentation, solubility, organic functional groups, solute–solvent interactions, mixture separation methods, and extraction was observed. Additionally, students demonstrated greater recognition of the social and cultural relevance of science. Their statements and productions revealed meaningful connections between traditional and scientific knowledge, contributing to the appreciation of cultural diversity and to the development of a more critical and contextualized learning process. |
| Palavras-chave: | Ensino de química Valorização cultural Povos originários Práticas tradicionais |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::QUIMICA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Paraíba |
| Sigla da Instituição: | UFPB |
| Departamento: | Química |
| Tipo de Acesso: | Acesso aberto |
| URI: | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37864 |
| Data do documento: | 2-Mar-2026 |
| Aparece nas coleções: | TCC - Química |
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