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https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/38239| Tipo: | Tese |
| Título: | Escrita do corpo marica: autoficção performática em Luís Capucho e Pablo Pérez |
| Autor(es): | Silva Neto, Antonio Carlos Batista da |
| Orientador: | Schneider, Liane |
| Coorientador: | Fernandes, Carlos Eduardo Albuquerque |
| Membro da Banca: | Silveira, Micaela Sá da |
| Membro da Banca: | Lúcio, Ana Cristina Marinho |
| Membro da Banca: | Jesus, André Luís Gomes de |
| Membro da Banca: | Pereira, André Luis Mitidieri |
| Resumo: | A partir da noção de “autoficção performática” (Klinger, 2006), esta tese realiza uma leitura da autoficção na contemporaneidade e constrói um pensamento teórico- crítico, a escrita do corpo marica, a partir das performances ligadas ao campo da (homo)sexualidade e da (homo)textualidade, em contextos sul-americanos, que atravessam o corpo, real e ficcional, que vive com HIV. Neste sentido, examinam-se as estratégias na construção de subjetividade e os processos de autorreferencialidade, rememoração e/ou de fluxos de consciência (James, 1890) na escrita do sujeito duplo, autor-personagem, em Mamãe me adora (2012), do escritor brasileiro Luís Capucho, e Querido Nicolás (2016), do escritor argentino Pablo Pérez, histórias perpassadas pela temática da infecção pelo HIV. Imbricadas nas narrativas em tela e mediante as performances e performatividades de gênero (Butler, 2003 [1990]) ali apresentadas, exteriorizam-se as categorias temáticas de infecção (Sontag, 1990 [1989]) e afeto (Spinoza, 2009; Diniz, 2016) nos corpos marica em deslocamento. Assim sendo, a análise comparativa evidencia que Capucho e Pérez tecem narrativas em que o corpo soropositivo deixa de ser apenas um signo de estigma ou morte e se transforma em potência estética, ética e afetiva, reorganizando, sobretudo, os modos de narrar e viver. A escrita se configura, por sua vez, como espaço de afirmação de modos de vida que escapam à cisheteronormatividade, já que, em ambas as obras, os autores-personagens constroem percursos literários permeados pelo estigma, mas também pelas relações sorodiscordantes, pela terapia antirretroviral, pelo desejo, pela ressignificação do corpo infectado e pela força de vínculos afetivos e sexuais que resistem à lógica da abjeção. Conclui-se, portanto, que a escrita do corpo marica, tal como aparece em Capucho e Pérez, não apenas desloca a literatura sobre HIV do eixo da morte, como também ilustra novas formas de vida possíveis e modos de subjetivação sul- americanos desestigmatizantes. Os apoios teóricos centrais incluem, além de Klinger (2006), Doubrovsky (1977) para a autoficção; Bessa (1997) no estudo sobre a infecção do HIV como epidemia discursiva; e Preciado (2018) na construção de um argumento sobre a afetividade não-heterocentrada. |
| Abstract: | Departing from the concept of performative auto-fiction, this dissertation revisits the
notion of auto-fiction in contemporary times, structuring a theoretical-critical thought,
the writing of the marica body, through performances attached to the field of
(homo)sexuality and (homo) textuality in South American contexts, especially in
respect to bodies marked (in real and fictional ways) by HIV. In this sense, the idea
was to unveil strategies involved in the construction of subjectivity and processes of
self referrentiality, rememory and stream of consciousness (James, 1890) in the
writing of the double subject, author/character, in Mamãe me adora (2012), by the
Brazilian writer Luis Capucho, and in Querido Nicolas (2016), by the Argentinian
Pablo Perez, stories crossed by the theme of HIV infection. Imbricated in both
analyzed narratives, through gender performances and performativities (Butler, 2003
[1990]) present in the stories, this study brings to light the thematic categories of
infection (Sontag, 1990 [1989]) and affection (Spinoza, 2009; Diniz, 2016) on marica
displaced bodies. The comparative analysis highlights that Capucho and Pérez
construct narratives in which the seropositive body is not only attached to stigma and
death but is transformed into a source of aesthetic, ethic and affective power,
reorganizing ways of living ad narrating. Writing is here taken as a space for
affirmative ways of living, freed from imposed cis-heteronormativity since in both
narratives the characters/authors construct literary paths permeated by stigma, but
also by serodiscordant relationship, anti-retroviral therapy, sexual desire, resignifying
the infected body by the force of emotional and sexual attachment that resist the
logic of abjection. One comes to conclude that the writing of the marica body, as it
appears in Capucho and Pérez, not only dislocates literary production on HIV out of
the death circle but also illustrates new possible ways of living, destigmatizing south
American modes of subjectivity. Central theoretical supports of this study include,
besides Klinger (2006), for auto-fiction, Doubrovsky (1977); for the study of HIV
infection as a discursive epidemic, Bessa (1997); for the discussion of non-
heterocentric affectivity, Preciado (2018), among others. A partir de la noción de “autoficción performática” (Klinger, 2006), esta tesis realiza una lectura de la autoficción en la contemporaneidad y construye un pensamiento teórico-crítico, la escritura del cuerpo marica, a partir de las performances vinculadas al campo de la (homo)sexualidad y de la (homo)textualidad, en contextos sudamericanos, que atraviesan el cuerpo, real y ficcional, que vive con VIH. En este sentido, se examinan las estrategias en la construcción de la subjetividad y los procesos de autorreferencialidad, rememoración y/o de flujos de conciencia (James, 1890) en la escritura del sujeto doble, autor-personaje, en Mamãe me adora (2012), del escritor brasileño Luís Capucho, y Querido Nicolás (2016), del escritor argentino Pablo Pérez, historias atravesadas por la temática de la infección por VIH. Entrelazadas en las narrativas en cuestión y mediante las performances y performatividades de género (Butler, 2003 [1990]) allí presentadas, se exteriorizan las categorías temáticas de infección (Sontag, 1990 [1989]) y afecto (Spinoza, 2009; Diniz, 2016) en los cuerpos marica en desplazamiento. Así, el análisis comparativo evidencia que Capucho y Pérez tejen narrativas en las que el cuerpo seropositivo deja de ser solo un signo de estigma o muerte y se transforma en potencia estética, ética y afectiva, reorganizando, sobre todo, los modos de narrar y de vivir. La escritura se configura, a su vez, como espacio de afirmación de modos de vida que escapan a la cisheteronormatividad, ya que, en ambas obras, los autores-personajes construyen recorridos literarios permeados por el estigma, pero también por las relaciones serodiscordantes, la terapia antirretroviral, el deseo, la resignificación del cuerpo infectado y la fuerza de los vínculos afectivos y sexuales que resisten a la lógica de la abyección. Se concluye, por lo tanto, que la escritura del cuerpo marica, tal como aparece en Capucho y Pérez, no solo desplaza la literatura sobre el VIH del eje de la muerte, sino que también ilustra nuevas formas de vida posibles y modos de subjetivación sudamericanos no estigmatizantes. Los apoyos teóricos centrales incluyen, además de Klinger (2006), a Doubrovsky (1977) para la autoficción; Bessa (1997) en el estudio sobre la infección del VIH como epidemia discursiva; y Preciado (2018) en la construcción de un argumento sobre la afectividad no heterocentrada. |
| Palavras-chave: | Literatura Gênero - Feministas Estudos decoloniais Autoficção Performance Marica Luís Capucho Pablo Pérez Auto-fiction Gender Autoficción |
| CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Paraíba |
| Sigla da Instituição: | UFPB |
| Departamento: | Letras |
| Programa: | Programa de Pós-Graduação em Letras |
| Tipo de Acesso: | Acesso aberto Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil |
| URI: | http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/ |
| URI: | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/38239 |
| Data do documento: | 29-Jul-2025 |
| Aparece nas coleções: | Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Letras |
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| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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