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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39604
Tipo: Tese
Título: Tessituras do trabalho docente: saúde mental de professoras na travessia entre o ensino remoto e o presencial
Autor(es): Costa, Joana Dar'k
Orientador: Araújo, Anísio José da Silva
Coorientador: Torres, Tatiana de Lucena
Membro da Banca: Máximo, Thaís Augusta Cunha de Oliveira
Membro da Banca: Pinto, Francinaldo do Monte
Membro da Banca: Neves, Mary Yale Rodrigues
Membro da Banca: Monteiro, Renan Pereira
Resumo: Este estudo teve como objetivo analisar as relações entre a organização do trabalho docente e a saúde mental de professoras da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, considerando o ensino remoto emergencial durante a pandemia da Covid-19 e o retorno ao ensino presencial. A pesquisa fundamentou-se na Psicodinâmica do Trabalho e na Teoria das Relações Sociais de Sexo, tendo como principais referências Christophe Dejours e Danièle Kergoat. Trata-se de uma pesquisa qualitativa desenvolvida em dois eixos complementares. O primeiro compreendeu duas revisões sistemáticas da literatura, uma nacional e outra internacional, sobre trabalho docente e saúde mental no contexto da pandemia. O segundo consistiu em um estudo de caso realizado em uma escola pública de João Pessoa (PB), com a participação de 11 professoras da Educação Infantil e Ensino Fundamental I. A produção do material empírico envolveu entrevistas semiestruturadas, diário de campo e análise documental, analisados pelo método hermenêutico-dialético. Os resultados das revisões sistemáticas evidenciaram elevados índices de ansiedade, estresse, depressão, exaustão emocional e sofrimento psíquico entre docentes, associados à intensificação do trabalho e às transformações em sua organização. Também identificaram experiências de prazer relacionadas à reinvenção da atividade, à aprendizagem de tecnologias digitais, ao desenvolvimento de novas competências e ao reconhecimento. O estudo de caso ampliou e aprofundou esses achados ao evidenciar que as transformações na organização do trabalho docente durante o ensino remoto emergencial e o retorno ao ensino presencial reconfiguraram a atividade docente e os processos envolvidos na produção do sofrimento e do prazer. No ensino remoto, intensificaram-se as exigências da atividade, reduziram-se as margens de autonomia, agravaram-se as condições de precarização do trabalho e ampliou-se a sobreposição entre trabalho docente, trabalho doméstico e atividades de cuidado, produzindo vivências de sofrimento e adoecimento. A mobilização da inteligência prática favoreceu a reinvenção da atividade, a aprendizagem de novas habilidades relacionadas ao uso de tecnologias digitais e experiências de reconhecimento provenientes de alunos e famílias. No retorno ao ensino presencial, as transformações na organização do trabalho caracterizaram-se pela intensificação das demandas pedagógicas e burocráticas, pela reconstrução das rotinas escolares e pela sobrecarga decorrente das defasagens de aprendizagem dos estudantes, produzindo novas vivências de sofrimento. Ao mesmo tempo, o reencontro com alunos, colegas e a vida na escola favoreceu experiências de prazer, reconhecimento e mobilização da inteligência prática. Conclui-se que as transformações na organização do trabalho docente durante o ensino remoto emergencial e o retorno ao ensino presencial intensificaram processos históricos de precarização e favoreceram a coexistência de processos antissublimatórios e sublimatórios. Nessa dinâmica, a saúde mental das professoras constituiu-se na articulação entre sofrimento e prazer, mediada pela mobilização subjetiva, pelas estratégias defensivas e pelas experiências de reconhecimento.
Abstract: This study aimed to analyze the relationships between the organization of teaching work and the mental health of female teachers in Early Childhood Education and the Early Years of Elementary Education, considering emergency remote teaching during the COVID-19 pandemic and the return to in-person teaching. The study was grounded in the Psychodynamics of Work and the Theory of Social Relations of Sex, drawing primarily on the works of Christophe Dejours and Danièle Kergoat. A qualitative research design was adopted and developed through two complementary components. The first consisted of two systematic literature reviews, one national and one international, on teaching work and mental health in the context of the pandemic. The second comprised a case study conducted in a public school in João Pessoa, Paraíba, Brazil, with the participation of 11 female teachers from Early Childhood Education and the Early Years of Elementary Education. Empirical data were generated through semi-structured interviews, field notes, and document analysis and were analyzed using the hermeneutic-dialectic method. The systematic literature reviews revealed high levels of anxiety, stress, depression, emotional exhaustion, and psychological distress among teachers, associated with work intensification and changes in work organization. They also identified experiences of pleasure related to the reinvention of work activity, the learning of digital technologies, the development of new competencies, and recognition. The case study expanded and deepened these findings by showing that changes in the organization of teaching work during emergency remote teaching and the return to in-person teaching reshaped teaching activity and the processes involved in the production of suffering and pleasure. During remote teaching, work demands intensified, autonomy was reduced, working conditions became more precarious, and the overlap between teaching work, domestic work, and caregiving activities increased, producing experiences of suffering and illness. The mobilization of practical intelligence fostered the reinvention of work activity, the acquisition of new skills related to the use of digital technologies, and experiences of recognition from students and their families. Following the return to in-person teaching, changes in work organization were characterized by the intensification of pedagogical and bureaucratic demands, the reconstruction of school routines, and the increased workload resulting from students' learning gaps, generating new experiences of suffering. At the same time, reconnecting with students, colleagues, and school life fostered experiences of pleasure, recognition, and the mobilization of practical intelligence. It is concluded that changes in the organization of teaching work during emergency remote teaching and the return to in-person teaching intensified historical processes of work precarization and fostered the coexistence of anti-sublimatory and sublimatory processes. Within this dynamic, the mental health of the female teachers was constituted through the articulation between suffering and pleasure, mediated by subjective mobilization, defensive strategies, and experiences of recognition.
RESUMEN Este estudio tuvo como objetivo analizar las relaciones entre la organización del trabajo docente y la salud mental de profesoras de Educación Infantil y de los primeros años de la Educación Primaria, considerando la enseñanza remota de emergencia durante la pandemia de la COVID-19 y el retorno a la enseñanza presencial. La investigación se fundamentó en la Psicodinámica del Trabajo y en la Teoría de las Relaciones Sociales de Sexo, teniendo como principales referentes a Christophe Dejours y Danièle Kergoat. Se trata de una investigación cualitativa desarrollada en dos ejes complementarios. El primero comprendió dos revisiones sistemáticas de la literatura, una nacional y otra internacional, sobre trabajo docente y salud mental en el contexto de la pandemia. El segundo consistió en un estudio de caso realizado en una escuela pública de João Pessoa (PB, Brasil), con la participación de 11 profesoras de Educación Infantil y de los primeros años de la Educación Primaria. La producción del material empírico incluyó entrevistas semiestructuradas, diario de campo y análisis documental, analizados mediante el método hermenéutico-dialéctico. Los resultados de las revisiones sistemáticas evidenciaron elevados niveles de ansiedad, estrés, depresión, agotamiento emocional y sufrimiento psíquico entre los docentes, asociados con la intensificación del trabajo y las transformaciones en su organización. Asimismo, identificaron experiencias de placer relacionadas con la reinvención de la actividad docente, el aprendizaje de tecnologías digitales, el desarrollo de nuevas competencias y el reconocimientoEl estudio de caso amplió y profundizó estos hallazgos al evidenciar que las transformaciones en la organización del trabajo docente durante la enseñanza remota de emergencia y el retorno a la enseñanza presencial reconfiguraron la actividad docente y los procesos implicados en la producción del sufrimiento y del placer. Durante la enseñanza remota se intensificaron las exigencias de la actividad, se redujeron los márgenes de autonomía, se agravaron las condiciones de precarización del trabajo y aumentó la superposición entre el trabajo docente, el trabajo doméstico y las tareas de cuidado, produciendo experiencias de sufrimiento y de enfermedad. Al mismo tiempo, la movilización de la inteligencia práctica favoreció la reinvención de la actividad, el aprendizaje de nuevas habilidades relacionadas con el uso de tecnologías digitales y experiencias de reconocimiento por parte de los estudiantes y sus familias. En el retorno a la enseñanza presencial, las transformaciones en la organización del trabajo se caracterizaron por la intensificación de las demandas pedagógicas y burocráticas, la reconstrucción de las rutinas escolares y la sobrecarga derivada de las brechas de aprendizaje de los estudiantes, produciendo nuevas experiencias de sufrimiento. Al mismo tiempo, el reencuentro con los estudiantes, las colegas y la vida escolar favoreció experiencias de placer, reconocimiento y movilización de la inteligencia práctica. Se concluye que las transformaciones en la organización del trabajo docente durante la enseñanza remota de emergencia y el retorno a la enseñanza presencial intensificaron procesos históricos de precarización y favorecieron la coexistencia de procesos antisublimatorios y sublimatorios. En esta dinámica, la salud mental de las profesoras se constituyó en la articulación entre sufrimiento y placer, mediada por la movilización subjetiva, las estrategias defensivas y las experiencias de reconocimiento.
Palavras-chave: Trabalho docente
Saúde mental
Psicodinâmica do trabalho
Relações sociais de sexo
Ensino remoto
Teaching work
Mental health
Psychodynamics of Work
Social Relations of Sex
Emergency Remote Teaching
Return to in-person teaching
Trabajo docente
Salud mental
Psicodinámica del Trabajo
Relaciones Sociales de Sexo
Enseñanza remota de emergencia
Retorno a la enseñanza presencial
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal da Paraíba
Sigla da Instituição: UFPB
Departamento: Psicologia Social
Programa: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
Tipo de Acesso: Acesso aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
URI: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39604
Data do documento: 20-Ago-2026
Aparece nas coleções:Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social

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