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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37719
Tipo: Dissertação
Título: "Presas do trabalho": encarceramento feminino como dispositivo de (re) produção de vulnerabilidades e desigualdades
Autor(es): Oliveira, Josilene Ribeiro de
Orientador: Ramiro, Patricia Alves
Orientador: Pires , Flavia Ferreira
Orientador: Ribeiro, Luziana Ramalho
Resumo: A partir do entendimento que a prisão é um dispositivo político de dominação e controle social que se exerce pela regulação dos fluxos, do trânsito de objetos e de pessoas, produzindo e reproduzindo exclusões e desigualdades, o objetivo desta pesquisa é analisar as dinâmicas que caracterizam as relações sociais e o processo de disciplinamento dentro de um presídio para mulheres em conflito com a lei. O locus da pesquisa é o Presídio Feminino Maria Júlia Maranhão, onde se realizou um estudo etnográfico suportado pela observação, entrevistas semiestruturadas e conversas informais com servidores públicos lotados na referida unidade penal e com mulheres em cumprimento de pena privativa de liberdade em regime fechado, entre fevereiro e junho de 2022. Dados estatísticos sobre a população carcerária brasileira, a legislação penal, relatórios e outros documentos disponibilizados pela Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba e pelo Departamento Penitenciário Nacional também fazem parte do corpus analisado. Os resultados da investigação apontam que os marcadores sociais das diferenças de gênero, raça e classe se articulam na produção de corpos vulneráveis ao encarceramento e, quando da prisão, no impacto que esta tem sobre a relação da presa com sua família, na forma como a punição será vivenciada e, até mesmo, na possibilidade de reincidência e chances de sucesso quando da soltura/desencarceramento. Dentro da prisão, as disposições sociais adquiridas ao longo do processo de socialização, funcionam como dispositivo de separação das definidas como aptas e não aptas ao trabalho interno no cárcere. Aquelas mulheres que resistem ao disciplinamento diário do cárcere são sobre determinadas pelo olhar desqualificador que as inferioriza e exclui, transformando diferença em desigualdade de oportunidades e reproduzindo vulnerabilidades. A manutenção do posto de trabalho requer, portanto, mais do que saber fazer e realizar a tarefa designada adequadamente, pois demanda assumir os valores dominantes e se engajar em performances e troca simbólicas com as equipes de vigilância, o que, em outros termos, fortalece o viés punitivo, moralizante e disciplinador da pena privativa de liberdade para mulheres em conflito com a lei.
Abstract: From the understanding that the prison is a political device of domination and social control that is exercised by regulating the flows, the transit of objects and people, producing and reproducing exclusions and inequalities, the objective of this research is to analyze the dynamics that characterize the social relations and the disciplining process within a prison for women in conflict with the law. The locus of the research is the Maria Júlia Maranhão Women's Prison, where an ethnographic study was carried out supported by observation, semi-structured interviews and informal conversations with public servants working in the aforementioned penal unit and with women serving a custodial sentence in a closed regime, among others. February and June 2022. Statistical data on the Brazilian prison population, criminal legislation, reports and other documents made available by the Secretariat of Penitentiary Administration of Paraíba and by the National Penitentiary Department are also part of the analyzed corpus. The results of the investigation point out that the social markers of gender, race and class differences are articulated in the production of bodies vulnerable to incarceration and, when in prison, in the impact that this has on the prisoner's relationship with her family, in the way the punishment will be experienced and, even, in the possibility of recurrence and chances of success upon release/extrication. Inside the prison, the social dispositions acquired throughout the socialization process, function as a device for separating those defined as suitable and not suitable for internal work in prison. Those women who resist the daily discipline of prison are overly determined by the disqualifying gaze that demeans and excludes them, transforming difference into unequal opportunities and reproducing vulnerabilities. Maintaining the job requires, therefore, more than knowing how to do and carrying out the assigned task properly, as it demands assuming the dominant values and engaging in performances and symbolic exchanges with the surveillance teams, which, in other words, strengthens the punitive, moralizing and disciplining bias of the custodial sentence for women in conflict with the law.
Palavras-chave: Instituição penitenciárias
Mulheres encarceradas
Presídio Maria Júlia Maranhão
Trabalho interno - Presídio
Interseccionalidades
Trabalho interno
Disciplinamento
Women deprived of liberty
Intersectionalities
Discipline
Work in prison
Maria Júlia Maranhão Prison
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal da Paraíba
Sigla da Instituição: UFPB
Departamento: Educação
Programa: Programa de Pós-Graduação em Antropologia
Tipo de Acesso: Acesso aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
URI: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37719
Data do documento: 28-Fev-2023
Aparece nas coleções:Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Antropologia



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