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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39143
Tipo: Dissertação
Título: Da ficção de uma história à história de uma ficção : Eu, Tituba (talvez) bruxa de Salem
Autor(es): Lacerda, Hélio Márcio Nunes
Orientador: Pinheiro, Vanessa Neves Riambau
Membro da Banca: Gomes, Paulo de Freitas
Membro da Banca: Silva, Franciane Conceição da
Membro da Banca: Melo Junior, Orison Marden Bandeira de
Membro da Banca: Cruz, Edna Souza
Resumo: Este texto discute o romance Moi, Tituba, la sorcière noire de Salem, de Maryse Condé (2017), para problematizar a construção ficcional de Tituba, mulher negra, escravizada, acusada de bruxaria na vila de Salem, no século XVII, atual estado de Massachusetts. Para investigar as condições, os limites e as possibilidades de escrever sobre uma personagem que dispõe de poucos registros escritos, tomo de empréstimo o conceito de “fabulação crítica” de Saidiya Hartman (2020), como possibilidade e experimento para construir respostas ao apagamento histórico de sujeitos colonizados. Orientado por uma perspectiva decolonial, que revisita o período escravocrata sob um viés contra-hegemônico, realizo um trabalho bibliográfico para tematizar a obra de Condé. Assim, considerando o espectro estético de descentralizar as narrativas oficiais e escrever uma literatura ancorada no hibridismo cultural, a obra de Maryse Condé opera um “giro decolonial” (Maldonado-Torres, 2009), ao deslocar o discurso do colonizador para narrar os processos de colonização pela voz de Tituba, a mulher negra escravizada. Para compor seu projeto literário, a autora põe em marcha uma intrincada teia em que se mesclam escravidão, colonização, racismo, religião, fé, disputas religiosas e a opressão das mulheres negras no seio do nascente mundo colonial moderno (Quijano, 2009). Meu objetivo é problematizar a representação ficcional dessa personagem recriada por Maryse Condé, em suas formas de enfrentar a condição de mulher preta escravizada, inserida em uma comunidade estritamente religiosa e puritana do período colonial norte-americano. Desse modo, mais que uma narrativa dissidente, o romance constrói outra chave de leitura para a colonização do Novo Mundo. Ao explorar outras narrativas sobre o lugar da pessoa negra na sociedade, que escapam da visão comum de subalternidade frequentemente atribuída a ela, esta pesquisa constrói sua relevância ao operar sobre uma escrita que pretende ser, em alguma medida, expressão de sujeitos apagados pelo processo de colonização, enxergando-os como agentes da cultura, da ciência e da arte.
Abstract: Ce texte discute le roman Moi, Tituba, sorcière... noire de Salem, de Maryse Condé (2017), afin de problématiser la construction fictionnelle de Tituba, une femme noire et esclave accusée de sorcellerie dans le village de Salem, en Nouvelle-Angleterre, aujourd'hui Massachusetts, au XVIIe siècle. Afin d'étudier les conditions, les limites et les possibilités d'écrire sur un personnage qui a peu de traces écrites, j'emprunte à Saidiya Hartman (2020) le concept de “fabulation critique” en tant que possibilité et expérience pour construire des réponses à l'effacement historique des sujets colonisés. Guidée par une perspective décoloniale, qui revisite la période de l'esclavage dans une perspective contre-hégémonique, j'effectue un travail bibliographique pour thématiser les travaux susmentionnés. Ainsi, en considérant le spectre esthétique de la de décentrer les récits officiels et d'écrire une littérature fondée sur l'hybridité culturelle, Maryse Condé, qui est une femme d'affaires, est une femme d'affaires. Ainsi, en considérant le spectre esthétique de la décentralisation des récits officiels et de l'écriture d'une littérature basée sur l'hybridité culturelle, l'œuvre de Maryse Condé opère un “tournant décolonial” (Maldonado-Torres, 2009) en déplaçant le discours du colonisateur pour raconter les processus de colonisation par la voix de Tituba, la femme noire réduite en esclavage. Pour son projet littéraire, l'auteure met en mouvement un réseau complexe dans lequel se mêlent l'esclavage, la colonisation, le racisme, la religion, la foi, les conflits religieux et l'oppression des Noirs. L'auteur met en place un réseau complexe dans lequel l'esclavage, la colonisation, le racisme, la religion, la foi, les conflits religieux et l'oppression des femmes noires au sein du monde colonial moderne naissant (Quijano, 2009). Mon intérêt est de problématiser la représentation fictionnelle de ce personnage créé par Maryse Condé, dans sa manière d'affronter la condition d'une femme noire asservie, insérée dans une communauté strictement religieuse et puritaine de la période coloniale nord-américaine. Ainsi, plus qu'un récit dissident, le roman semble construire une autre clé de lecture de la colonisation.
ABSTRACT This text investiagtes the novel Moi, Tituba, la sorcière noire de Salem, by Maryse Condé (2017), to problematize the fictional construction of Tituba, a Black woman, enslaved, accused of witchcraft in the village of Salem, in the 17th century, currently state of Massachusetts. To investigate the conditions, limits, and possibilities of writing about a character with few written records, I borrow the concept of "critical fabulation", from Sai Diya Hartman (2020), as a possibility and experiment to construct responses to the historical erasure of colonized subjects. Guided by a decolonial perspective, which revisits the slave- owning period from a counter-hegemonic perspective, I conduct a bibliographical study to thematize Condé's work. Thus, considering the aesthetic spectrum of decentralizing official narratives and writing literature anchored in cultural hybridity, Maryse Condé's work operates a "decolonial turn" (Maldonado-Torres, 2009), shifting the colonizer's discourse to narrate the processes of colonization through the voice of Tituba, the enslaved Black woman. To compose her literary project, the author sets in motion an intricate web in which slavery, colonization, racism, religion, faith, religious disputes, and the oppression of Black women within the nascent modern colonial world are intertwined (Quijano, 2009). My objective is to problematize the fictional representation of this character recreated by Maryse Condé, in her ways of confronting the condition of an enslaved Black woman, inserted in a strictly religious and puritanical community of the North American colonial period. In this way, more than a dissident narrative, the novel constructs another key to understanding the colonization of the New World. By exploring alternative narratives about the place of Black people in society, narratives that escape the common view of subalternity often attributed to them, this research builds its relevance by working with a writing that aims to be, to some extent, an expression of subjects erased by the process of colonization, seeing them as agents of culture, science, and art.
Palavras-chave: Estudos literários
Condé, Maryse (1934-2024)
Crítica e interpretação
Literatura e história
Representação da mulher negra
Bruxas de Salem - Literatura
Giro decolonial
Tituba
Esclavage
Sorcellerie
Tournant décolonial
Colonialisme
Slavery
Decolonial turn
Witchcraft
Colonialism
CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal da Paraíba
Sigla da Instituição: UFPB
Departamento: Letras
Programa: Programa de Pós-Graduação em Letras
Tipo de Acesso: Acesso aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
URI: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/39143
Data do documento: 2-Mar-2026
Aparece nas coleções:Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) - Programa de Pós-Graduação em Letras

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